
A substância clobutinol, muito usada em xaropes para tosse comercializados no Brasil, foi suspensa nesta segura-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em nota, o órgão afirma que um parecer da Gerência de Farmacovigilância concluiu que os riscos associados à substância superam os benefícios, especialmente devido ao risco de arritmia cardíaca grave.
“Pela avaliação, a situação é suficientemente grave para justificar a suspensão dos medicamentos que contenham a substância”, diz a Anvisa. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira e já está em vigor.
O cloridrato de clobutinol é um supressor da tosse muito utilizado para o tratamento de curto prazo de tosse irritativa e não produtiva, conhecida como “tosse seca”, em que o paciente não elimina catarro ou muco. Medicamentos contendo a substância estão disponíveis desde 1961.
No entanto, devido ao risco de arritmia grave, eles têm sido retirados do mercado. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) proibiu o fármaco ainda em 2007, ano em que o laboratório Boehringer Ingelheim, que vendia um xarope com o clobutinol sob o nome comercial Silomat, retirou seu remédio do mercado.
O medicamento, porém, ainda é encontrado em formulações genéricas ou em outros xaropes vendidos com nome comercial, caso do Hytos Plus, por exemplo.
As proibições começaram a ser decretadas após estudos da Boehringer Ingelheim indicarem que a substância provoca o prolongamento do “intervalo QT” (parte do batimento cardíaco) além do normal. Esse efeito colateral, chamado de “prolongamento do QT”, é conhecido por estar associado a desmaios e a alterações do ritmo cardíaco.
