Trabalhadores pagam o dobro de juros que aposentados no empréstimo consignado. Veja simulação de valores cobrados

Governo promete fiscalizar abusos no consignado contra profissionais com carteira assinada. Já os bancos pressionam por teto de juros maior no consignado de aposentados

As diferenças entre os empréstimos consignados oferecidos para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e para trabalhadores da iniciativa privada vão muito além do público beneficiado. Embora ambos tenham como característica principal o desconto direto na folha de pagamento, na prática, os custos e as condições variam bastante entre as modalidades de crédito.

Nos dois tipos de empréstimos, o risco de inadimplência é baixo — justamente porque o pagamento é garantido —, porém, os encargos cobrados são diferentes. Em maio, segundo o Banco Central, a taxa média de juros do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada foi de 3,75% ao mês, mais que o dobro da aplicada aos beneficiários do INSS, que pagaram, em média, 1,83% ao mês. Isso significa que, dependendo do valor e do prazo da dívida, um funcionário da iniciativa privada pode acabar pagando muito mais do que um aposentado.

No consignado do INSS, há um teto (1,85%) para essa tarifa. Já no CLT, o banco faz uma oferta para o consumidor, mas não existe limitação para as taxas.

— É possível no futuro pensar em teto, se observar que os bancos estão abusando — disse Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, em março.

Confira abaixo simulações de valores cobrados nas duas modalidades de consignado, preparadas a pedido do EXTRA pelo diretor-executivo da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.

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