
A proposta de criação do Porto Meridional em Arroio do Sal, já na fase de liberação do licenciamento ambiental, teve duas audiências públicas realizadas: uma em Arroio do Sal, e outra em Porto Alegre. Localizado em Arroio do Sal, no Litoral Norte, o terminal portuário nasce com o propósito de ampliar a capacidade logística do Estado, aumentar sua competitividade e impulsionar a geração de empregos e renda.
Em meio à etapa das audiências públicas promovidas pelo IBAMA antes de deliberar sobre o pedido de licença ambiental para o início das obras do Porto Meridional, opiniões pró e contra o empreendimento foram apresentadas. Na recente audiência realizada em Porto Alegre, o professor Paulo Brak, do quadro do instituto de biociências da UFRGS criticou a falta de sensibilidade com o meio ambiente, de muitos participantes que o vaiaram, e afirmou que “eu como professor, tenho a tristeza de ver pessoas que não aprenderam ainda a importância de proteger a natureza”. Manifestou sua preocupação com os riscos de poluição que o empreendimento poderá trazer para o Litoral Norte e advertiu para a necessidade de atenção a estas áreas, lembrando que “são cerca de 2.500 caminhões por dia, a poluição vai ser um inferno”. E projetou sua preocupação para a preservação de espécies ameaçadas de extinção se não houver um programa sério de proteção”.
O ambientalista mencionou especificamente exemplos da sua preocupação com o projeto do Porto Meridional: segundo ele, a lagartixa-das-dunas, e o tuco-tuco (pequeno mamífero roedor), terão sua preservação ameaçada pelo empreendimento.
Especialista garante que “existe a preocupação com as espécies ameaçadas” no projeto do Porto Meridional
O arquiteto Mauro Scazufka , com atuação profissional destacada em projetos urbanos e portuários, e um dos profissionais que participa do projeto de licenciamento ambiental do Porto Meridional garante que “existe a preocupação com as espécies ameaçadas, que estão detalhadas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), inclusive a dos banhados”. Segundo ele, “há no estudo, um Programa de mitigação e compensação. Onde houver danos ou indivíduos de espécies ameaçadas temos a obrigação da compensação de 10 por 1”.
Mauro Scazufka lembrou ainda, que há um decreto de utilidade pública que permite trabalhar em territórios ambientalmente sensíveis, mas exige as compensações mas tranquilizou no sentido de que “quando a gente prepara um estudo desta magnitude o faz preocupado em entender o diagnóstico, e sobre como trabalhar para preservar ao máximo esse território”.
Porto terá investimento privado de R$ 6 bilhões e projeta movimentar 53 milhões de toneladas de cargas
O investimento do Porto Meridional é 100% privado estimado em R$ 6 bilhões. O porto em Arroio do Sal será capaz de movimentar até 53 milhões de toneladas de cargas por ano, criando 1,5 mil empregos diretos e milhares indiretos.
A iniciativa é liderada por empresários gaúchos com trajetória reconhecida e já recebeu aval do Ministério de Portos e Aeroportos, Marinha, SPU (Secretaria do Patrimônio da União) e Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). O governo do Estado já declarou o projeto de utilidade pública, o que reforça a sua importância estratégica. Segundo os empreendedores, atualmente, o Porto Meridional aguarda licenciamento ambiental junto ao Ibama, etapa fundamental para garantir sua implantação dentro dos mais altos padrões de sustentabilidade.
