Passando dos 100 dias desde o início da maior tragédia climática da história do Brasil, ainda há muita incerteza e poucas soluções para o setor primário. Ontem, o deputado Luciano Silveira (MDB) presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, recebeu representantes do movimento SOS Agro RS, Grazi Camargo e Fernanda Mendes.

Após ouvir relatos de produtores sobre a situação de quem está na ponta, o deputado avalia que “o movimento uniu todos os setores e entidades. Esse jogo de promessas e descaso do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que traz apenas mais burocracias e só apareceu no Rio Grande do Sul 30 dias após o início da tragédia para entrega de máquinas, além de gerar instabilidade em todo mês de maio com o leilão do arroz, o qual o nosso estado produz 70% do que é consumido no Brasil, que felizmente foi suspenso, é o retrato do que está sendo o trato do Governo Federal”. Destaca que “a agricultura representa 40% da economia do Rio Grande do Sul e somos a 4ª maior economia do nosso país, se o agro vai mal, o estado vai mal. Precisamos urgentemente de mais respeito, pois já são mais de três meses sem soluções”.
Graziela Camargo, do Movimento SOS Agro aponta que “se não fizermos a safra 2024/25 vai faltar comida, vai aumentar a inflação. Nós não temos mais tempo”, relatou. Para Fernanda Mendes, outra liderança do movimento, “a Medida Provisória do governo ignorou a negativação dos CPFs. Não tem procedimento, embora esteja prevista a desnegativação, não diz nada sobre prazos e como será feito. Isso é fundamental para novos custeios, estamos desassistidos”.
Presidente da Comissão de Agricultura: “Quem está na ponta é quem sofre”
Para o deputado Luciano Silveira, “quem está na ponta é quem sofre. A busca por soluções e apelo junto ao Governo Federal seguem. Em maio, a Comissão de Agricultura, junto a Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha, presidida pelo deputado Elton Weber, entregou um documento ao Ministério da Agricultura reunindo apelo de 12 entidades, cobrando, dentre outras medidas, prorrogação de parcelas de crédito vincendas, anistia de dívidas da agricultura familiar e crédito novo com juros subsidiados e carência para inicio do pagamento para produtores e cooperativas.” Até agora o documento não recebeu uma resposta afirmativa.
