ENERGIA: Fernando Zancan, liderança nacional do setor de Carbono Sustentável: “É preciso repensar a situação do carvão no Rio Grande”

A emergência energética mundial exige uma nova discussão sobre o carvão mineral, e isso leva a repensar a situação do carvão no Rio Grande do Sul. A avaliação foi feita ontem pelo presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Luiz Zancan.

Engenheiro de Minas graduado pela UFRGS, ele conhece processos de industrialização do carvão do mundo inteiro e propõe que o Rio Grande do Sul estabeleça uma Política Estadual de Mineração, com ênfase para a criação do Plano Gaúcho de Industrialização do Carvão de Baixo Carbono, inclusive com a reativação da mina Leão 2, onde já foram investidos R$ 1 bilhão e nunca produziu nada.

Ele conversou com o jornalista Flavio Pereira, em Porto Alegre, destacando que o Rio Grande do Sul possui 89% das reservas de carvão no país e tem hoje uma oportunidade histórica de aproveitar um de seus recursos mais abundantes para recuperar sua economia.

Nenhum país ou Estado, tendo um único recurso mineral desse tamanho, pode ignorar esse potencial”, afirma Zancan.

Após a aprovação da Lei 15.269/2025 e a recente autorização para a renovação da licença de Candiota, abre-se uma janela estratégica para reposicionar o carvão gaúcho como alavanca de uma transição energética justa, tecnológica e economicamente sustentável.

Na contramão de países desenvolvidos, o Estado, empobrecido, não pode desprezar por ignorância essa riqueza. A COP30 reconheceu e ratificou o que está escrito no Acordo de Paris — a necessidade de redução das emissões —, mas indicou que a transição precisará ocorrer de forma gradual, escalonada e realista, levando em conta a segurança e a emergência energética e as realidades regionais”, destaca o presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável.

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