Disputa da herança de R$ 100 bilhões do dono do Curso Objetivo e da Unip, morto em 2022, continua até hoje.

João Carlos Di Gênio foi aprovado em primeiro lugar em medicina na USP em 1961. Ainda durante a graduação, começou a dar aulas de física. Em 1965, criou o curso Objetivo com colegas de faculdade. Depois veio a Unip. Hoje com mais de 300 mil alunos e 932 escolas conveniadas no Brasil e no exterior. A Rede Mix reúne 50 emissoras afiliadas, alcança 700 cidades e tem público superior a 12 milhões. No agro, o Nelore Di Gênio mantinha seis fazendas. Em imóveis, uma reportagem da Exame apontava, ainda em 2016, R$ 1 bilhão só em São Paulo.

A Forbes falava em R$ 7 bilhões em 2021. Depois da morte, reportagens passaram a apontar mais de R$ 30 bilhões no Brasil e R$ 100 bilhões ao incluir ativos no exterior.

Em fevereiro de 2022, Di Gênio morreu aos 82 anos. Sem testamento. E aí começou o verdadeiro problema. A herança passou a ser disputada por Sandra Miessa e por Bruno Augusto Mello Pará, de 38 anos, que alega ter mantido com Di Gênio uma relação de pai e filho.

Bruno chegou a pedir a exumação do corpo no fim de 2025 para exame de DNA. O resultado foi negativo. Mesmo assim, sua defesa passou a sustentar a tese de paternidade socioafetiva para participar da herança.

Também entrou na disputa Fernando Di Gênio Barbosa, sobrinho do empresário. Sua tentativa de participação foi contestada e ele acabou afastado do processo após ação movida pela viúda. Enquanto a família discutia a herança, surgiu um episódio ainda mais inesperado.

Um grupo tentou cobrar uma dívida milionária do espólio alegando uma suposta negociação imobiliária. A história envolvia a suposta venda de 448 imóveis em Piraju, no interior paulista. O contrato indicava uma dívida de cerca de R$ 845 milhões. Para sustentar a cobrança, os envolvidos apresentaram documentos falsificados e recorreram a uma entidade arbitral de fachada.

A Justiça mapeou o esquema. Decretou mandados de prisão contra nove pessoas. Em meio à disputa familiar, a herança de Di Gênio virou uma das mais complexas do país. Um homem que construiu um dos maiores impérios educacionais do Brasil. Que morreu sem deixar uma linha sobre o que queria que acontecesse com tudo isso. Patrimônio sem planejamento é um problema deixado para os outros resolverem

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