VIDEO: “Estamos perdendo o Brasil para o crime”: facções obrigam empresa de SC a fechar turno de fábrica no Ceará

O deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) fez um forte desabafo na tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) ao revelar que uma das fábricas do Grupo Lunelli, instalada há mais de 20 anos no município de Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará, precisou fechar um turno de trabalho por causa do avanço do crime organizado na região.

Conforme o deputado, que também é empresário do setor têxtil e proprietário do Grupo Lunelli, o PCC e o Comando Vermelho determinaram que nenhuma pessoa pudesse sair de casa antes das 5h da manhã e retornar depois das 22h no município cearense. A imposição das facções obrigou a empresa, assim como outras indústrias da região, a encerrar os turnos noturnos e operar apenas em horário comercial.

“Desde janeiro de 2026, nós tivemos que fechar um turno porque o PCC e o Comando Vermelho determinaram que nenhuma pessoa poderia sair de casa antes das 5h e retornar depois das 22h”, desabafou Lunelli na tribuna da Alesc.

Mais de 200 indústrias afetadas

Segundo o parlamentar, a situação não atinge apenas a unidade do Grupo Lunelli. Conforme Lunelli, mais de 200 indústrias instaladas em Maracanaú enfrentam a mesma imposição das facções criminosas. O deputado classificou o cenário como gravíssimo e questionou os rumos da segurança pública no país.

“Vejam os senhores e as senhoras a que ponto que nós estamos chegando no nosso país. Estamos perdendo para o crime organizado. Estamos vivendo uma insegurança jurídica como jamais vista”, afirmou.

A fábrica em Maracanaú é descrita pelo deputado como uma unidade de alta tecnologia, onde os colaboradores trabalhavam em ambiente com boas condições. Lunelli ressaltou o contraste entre o investimento de mais de duas décadas e a realidade imposta pelas facções.

Contexto de violência no Ceará

Maracanaú está entre os municípios mais violentos do Brasil. Conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cidade registrou taxa de 68,5 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, ocupando a nona posição no ranking nacional. O município vizinho, Maranguape, liderou a lista com 79,9 mortes violentas por 100 mil habitantes.

A região metropolitana de Fortaleza vive intensa disputa territorial entre o Comando Vermelho, o PCC e a facção local Guardiões do Estado (GDE). A atuação das organizações criminosas inclui toques de recolher, fechamento de comércios e restrições de circulação impostas à população.

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