Acidente aconteceu na Lagoa dos Quadros, em Capão da Canoa, há duas semanas.
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Duas semanas após o acidente que deixou o empresário Sidnei Junior Lipert à deriva por 19 horas, o sobrevivente contou o que viveu quando ficou sozinho na Lagoa dos Quadros, depois de cair de uma moto aquática, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS.
Entre o fim da tarde de domingo (14), a noite escura e a manhã seguinte de segunda-feira (15), uma pergunta não saía da cabeça de Lipert:
“Quanto tempo meu corpo vai aguentar?”.
Ele caiu da moto aquática enquanto atravessava a Lagoa e não conseguiu voltar para o equipamento, que foi levado pelo vento. O empresário confessa que tudo aconteceu por um descuido.
“Veio duas ondas, eu estava um pouco na velocidade, poderia estar um pouco mais devagar. E, por um descuido, o jet deu uma ‘rabiada’, me jogou, Eu caí, como já caiu outras vezes”, diz.
Sem que os amigos percebessem, ele ficou sozinho, boiando com um colete salva-vidas. Quando notaram que empresário não estava por perto, começaram o resgate. Contudo, as buscas se concentravam perto da moto aquática.
Sobrevivência
Em um primeiro momento, Lipert acreditava que seria fácil chegar à margem, mas logo percebeu a dimensão do desafio.
“Vão me achar ou eu vou conseguir chegar até a margem”, pensava o empresário. “Olhei para um lado, era 6 km, e para o outro lado, também 6 km”, conta.
Lipert tentou nadar, mas não conseguiu. Com o passar das horas, o cansaço aumentou.
“Já comecei a ficar mais desesperado. Começou a me puxar muito a câimbra”, comenta. “Eu via eles de longe, com as lanternas, me procurando, mas era muito longe”, lembra.
O veículo e o celular dele foram encontrados às 22h30 do mesmo dia, mas não havia sinais do condutor.
O resgate
As buscas das equipes da Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar começaram no início da manhã seguinte ao acidente. Por volta das 13h, o soldado Rafael Bueno, do Comando Ambiental, avistou a vítima flutuando com o auxílio do colete salva-vidas após decidir ampliar a área de procura e encontrou o empresário exausto, mas vivo.
Sidnei estava a cerca de sete quilômetros do ponto onde a moto aquática foi encontrada.
“Sensação de alívio, total felicidade. Eu só queria avisar a minha família”, comenta.
Após o resgate, Sidnei foi levado a uma marina em Capão da Canoa e, em seguida, encaminhado para atendimento no Hospital Santa Luzia.
