Denúncia: jovens aceitam emprego na Tailândia a acabam vítimas de tráfico humano

Eles tiveram celulares confiscados, foram forçados a trabalhar aplicando golpes virtuais e passaram a sofrer agressões

Phelipe Ferreira e Luckas Viana se tornaram vítimas de rede de tráfico humano em Mianmar após falsas propostas de emprego

Pais denunciam que filhos foram vítimas de tráfico humano e acabaram se tornado escravos na Ásia. Os amigos Lucas e Felipe foram chamados para trabalhar em uma cidade tailandesa e as paisagens paradisíacas e o salário atraente chamaram a atenção. Os contratantes buscaram os jovens de carro, mas eles foram levados à um lugar diferente do combinado. No local, tiveram celulares confiscados, foram forçados a trabalhar aplicando golpes virtuais e passaram a sofrer agressões. Para libertação dos garotos, os pais afirmam que os supostos contratantes exigiram uma quantia equivalente a R$ 120 mil.

Gangues e milícias movimentam US$ 3 trilhões ao ano

 

Mianmar representa um desafio para nações que tentam resgatar e proteger seus cidadãos de esquemas como esses. Nos últimos anos, o país, assim como o restante da região, que inclui Laos, Camboja e Tailândia, se tornou base para grupos criminosos, muitos de origem chinesa, que se aproveitam das vulnerabilidades locais para montarem imensas operações clandestinas.

No poder desde um golpe em 2021, a Junta Militar à frente do país não comanda boa parte do território e se vê envolvida em conflitos armados com diferentes facções de bases étnicas. Grupos criminosos associam-se às diferentes milícias atuantes em Mianmar para garantirem a continuidade dos negócios clandestinos. Em março deste ano, o secretário-geral da Interpol, Jurgen Stock, declarou que o dinheiro movimentado por esses grupos pode chegar a US$ 3 trilhões.

“Impulsionados pelo anonimato online, inspirados por novos modelos de negócios e acelerados pela Covid, esses grupos do crime organizado estão agora trabalhando em uma escala que era inimaginável há uma década”, declarou Stock, em uma coletiva de imprensa. “O que começou como uma ameaça criminal regional no Sudeste Asiático tornou-se uma crise global de tráfico humano, com milhões de vítimas, tanto nos centros de fraude cibernética como nos alvos”.

As vítimas levadas para atuar nesses golpes virtuais ficam mantidas em complexos que funcionam como prisões. É o caso do KK Park, na fronteira entre a Tailândia e Mianmar. Identificado como Lucas, uma das vítimas desse esquema descreveu o local à emissora alemã Deustche Walle em uma reportagem publicada em janeiro deste ano.

“Trabalhamos 17 horas por dia, sem queixas, sem férias, sem descanso. E se dissermos que queremos ir embora, eles nos dizem que nos venderão ou nos matarão”, disse Lucas, que é nascido na África Ocidental.

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