Investidores ESG têm finalmente critérios mais claros para ler relatórios de sustentabilidade; veja quais são

Ausência de padronização gerava cenário confuso para investidores; medida é apoiada por empresas como Bank of America e Deutsche Bank, informa o InfoMoney nesta segunda-feira.

A pauta de investimento ESG atingiu um marco importante recentemente, quando o International Sustainability Standards Board (ISSB) lançou diretrizes para a padronização de relatórios de sustentabilidade. A novidade abre caminho para que empresas de todo o mundo divulguem informações uniformes sobre impactos climáticos e sustentabilidade.

A estrutura publicada pelo ISSB, no final de junho, pretende reformular as normas de relatórios ESG. A padronização também afeta as informações que as empresas incluem em seus relatórios financeiros, para indicarem melhor os riscos ambientais, sociais e de governança.

Sem uma estrutura global de relatórios ESG, “o cenário ficou muito confuso”, disse Sue Lloyd, vice-presidente do ISSB, em entrevista. Com os novos padrões, “os investidores podem ter certeza de que, quando comparam empresas, o fazem de maneira semelhante ao tomar suas decisões de investimento”.

Os padrões, que compreendem estruturas separadas para relatórios climáticos e de sustentabilidade, marcam o ápice de um esforço de anos. A sigla ESG foi cunhada pela primeira vez em 2004 por uma equipe afiliada às Nações Unidas. Nos anos seguintes, no entanto, os reguladores praticamente não atuaram e o rótulo foi associado a um número cada vez maior de produtos e atividades financeiras, transformando-se em um negócio multibilionário.

Nos últimos anos, reguladores na Europa, Estados Unidos e Ásia tentaram trazer ordem a um mercado no qual o greenwashing – a rotulagem incorreta de produtos ESG – tornou-se uma preocupação generalizada. A União Europeia criou uma classificação e foi a primeira a lançar um conjunto de regras ESG para investidores. Agora, o órgão está avançando com regulamentações para empresas, como parte de um pacote completo que, em última instância, redesenha as linhas do capitalismo.

Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC, equivalente à CVM no Brasil), está trabalhando para que as empresas reportem suas pegadas de carbono. Esses esforços incluem exigir que as companhias relatem dados absolutos de emissões, o que encontrou resistência de JPMorgan, Exxon Mobil, Goldman Sachs, entre outros. A hostilidade do Partido Republicano nos Estados Unidos em relação ao ESG também complicou os esforços para formular as regras do ESG nos país.

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