
A ministra Cármen Lúcia se disse envergonhada. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
O Supremo Tribunal Federal conseguiu encerrar a sessão de ontem sem decidir nada. Convocada inicialmente para que os ministros avaliassem a troca de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes e a possibilidade de abrir uma investigação contra o ministro Moraes. O que se viu foi o grupo de Alexandre de Moraes – Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Flavio Dino – promovendo em transmissão ao vivo, o mais severo vandalismo contra o STF em toda a sua história. Culminando cum um pedido de vista do ministro Flavio Dino, após ter votado a questão de ordem colocada, o que pode remeter a retomada da sessão para apôs as eleições, já que ele terá 90 dias para devolver o processo .
Mensagens de Vorcaro tiram Nunes Marques do plenário
O ministro Kassio Nunes Marques – pai de um garoto prodígio, o filho advogado de 25 anos que já acumulou RS 27 milhões de reais – pediu para sair do plenário e não acompanhar o julgamento do Alexandre de Moraes. Nunes Marques bateu em retirada do plenário, depois que mensagens suas foram divulgadas, revelando que seu filho recebia R$ 500 mil de Vorcaro e que uma garota de programa saiu com ele por R$ 10 mil, valor que também foi pago por Vorcaro.
Cármen Lucia pediu desculpas pelo triste espetáculo
A única voz serena foi a ministra Cármen Lucia, única mulher a integrar a Suprema Corte. Ela falou de forma pausada, expressando tristeza, e disse que se sente envergonhada, pois a Corte “provocou um mal-estar cívico ao país”.
“Eu estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje um dos colegas me dizia se eu estava aborrecida com alguma coisa. Eu disse, eu estou triste. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, que teria sido aquele a ser decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias. Peço desculpas ao povo brasileiro que talvez tenha esperado de mim uma posição diferente. Queria poder ter sido melhor em ajudar a acalmar as coisas e não consegui”, relatou a ministra.
