Depois de afirmar no Rio Grande do Sul, há uma semana, que o STF tornou-se um “poder político”, o ministro do STF Luis Roberto Barroso avançou ainda mais na rota da falta de isenção ao declarar, na quarta-feira (12), durante encontro da UNE (União Nacional dos Estudantes), que “derrotamos o bolsonarismo”. A declaração constrange o Judiciário brasileiro, desrespeita e ofende a vontade de 58 milhões de eleitores – há quem diga que são muitos, mas muitos mais – que votaram em Jair Bolsonaro e deixa evidente o comportamento parcial que dominou as ações da Suprema Corte ao longo da gestão do ex-presidente. Na verdade, a declaração de Barroso não causou surpresa a nenhum brasileiro que acompanha o declínio da Suprema Corte, cuja credibilidade vem sendo comprometida por ações de ministros como Luis Roberto Barroso.
STF virou partido político?
Após a confissão pública do ministro Luis Roberto Barroso de engajamento em uma facção política, por coerência, o passo seguinte seria inscrever o STF no Tribunal Superior Eleitoral, como partido político.
STF tenta se descolar da fala do ministro
O Supremo Tribunal Federal constrangidamente, precisou fazer um malabarismo para justificar em nota, a declaração reveladora de Barroso:
“Como se extrai claramente do contexto da fala do Ministro Barroso, a frase ‘Nós derrotamos a ditadura e o bolsonarismo’ referia-se ao voto popular e não à atuação de qualquer instituição”.
Até o presidente do Senado cobrou retratação de Barroso
Nem o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, normalmente um aliado dos ministros do STF, não conseguiu segurar. Depois de ser cobrado por inúmeros senadores, Pacheco afirmou nesta quinta-feira (12) que a declaração de Luís Roberto Barroso sobre ter “derrotado” o bolsonarismo foi “inadequada, inoportuna e infeliz” e cobrou uma retratação.
Mourão vê soberba de Barroso e enquadramento para o impeachment
O senador Hamilton Mourão fez duas observações certeiras sobre as declarações do ministro Barroso:
“No momento em que um magistrado da suprema corte coloca publicamente sua posição contrária à direita, fica claro que suas decisões SEMPRE serão tendenciosas. Não há como justificar o injustificável. Barroso foi traído pela soberba e sua fala política ultrapassa o papel de um magistrado, se enquadrando nos crimes de responsabilidade descritos no Art. 39º da Lei 1079/1950.”
No comando do STF, como Barroso irá decidir?
As declarações do ministro Luis Roberto Barroso são, no mínimo, péssimas, se levarmos em conta que ele assumirá o comando do STF no início de outubro. Ele substituirá a atual presidente, Rosa Weber, que irá se aposentar compulsoriamente do cargo de ministra do Supremo. Pela sinalização, suas declarações já antecipam como deverá julgar os processos que envolvam cidadãos conservadores, ou de direita.
