
Em nome de um acordo eleitoreiro firmado pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, com o presidente Lula, o Senado votará a toque de caixa e sem debate três propostas importantes: a Medida Provisória que extingue a “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança e a PEC que extingue a jornada 6×1. A razão dessa pressa: senadores e deputados querem cuidar das campanhas eleitorais nos seus estados.
Os relatores destas propostas no Senado não aceitarão qualquer alteração no texto vindo da Câmara porque, neste caso, os projetos retornariam para nova votação dos deputados, e o processo legislativo não terminaria antes das eleições. E eles teriam que trabalhar normalmente, abandonando suas campanhas eleitorais.
No caso da PEC do fim da escala 6×1, por exemplo, a Câmara estabeleceu uma transição de apenas 14 meses para a redução da jornada. O prazo foi criticado pelo setor produtivo diante dos possíveis efeitos sobre empresas, empregos e preços. A promessa é de que o Senado discutiria este prazo. Agora, o texto não será mudado. Neste caso, o efeito devastador do fim da escala 6×1, já projetado com base em estudos do setor produtivo, produzirá uma nova leva de dezenas de milhares de trabalhadores jogados na escala 7×0: a escala dos sem emprego.
