
“Nós percebemos que há um grande desconhecimento em relação à acessibilidade hoje na sociedade. Por exemplo, calçadas ocupadas desordenadamente por placas, postes, mesas, patinetes elétricos e outros riscos à circulação de pessoas com deficiência, em especial deficiência visual”, afirmou o advogado Airton Leão, um dos palestrantes convidados para o Fórum das Pessoas com Deficiência, promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, o COMDEPA, realizado no Espaço da Convergência, na Assembleia Legislativa. O Conselho, presidido por Cristina Mazuhy Antunes Xerxenesky, da Federação Rio-grandense de Entidades de e para Cegos (FREC), tem o objetivo de deliberar e fiscalizar políticas de atendimento nas áreas da educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, desporto, lazer e acessibilidade.
Deficiente visual critica a ausência de propostas objetivas nos discursos políticos
Airton Leão, que é advogado, servidor público e deficiente visual, utiliza um cão-guia nos seus deslocamentos rotineiros e criticou a ausência de propostas objetivas no discurso político até aqui:
“Não percebemos nos discursos dos candidatos, dos partidos, essa preocupação com um segmento tão significativo da sociedade, que acaba sendo posto praticamente como um etcétera”, criticou.
Citou casos que fazem parte da rotina de pessoas com deficiência, em especial quem utiliza cão-guia, como “negativas de transporte em táxi, em plataforma de aplicativo são constantes”. Mencionou que já teve várias vezes “a recusa de motoristas que se negaram a nos transportar porque diziam que não carregariam o cão-guia, e que não estavam obrigados a isso”, desconhecendo que existe lei federal regulamentada por um decreto (Lei 11.126/2006, Decreto 5.904/2005) que estabelecem o direito de acesso do cão-guia a qualquer espaço público ou privado de uso coletivo, abrangendo inclusive os meios de transporte.
Airton Leão compara os números, indicando que, no Brasil, para uma população de 210 milhões de pessoas, existem em torno de 7 milhões de pessoas com deficiência visual, abrangendo a cegueira e baixa visão. No entanto, existem apenas 220 cães-guia disponíveis, sendo 15 no Rio Grande do Sul. Fazendo uma comparação com os Estados Unidos: lá, os dados indicam haver 8 milhões de pessoas com deficiência visual e 10 mil cães-guia.
“No nosso caso, é um percentual ínfimo diante da sociedade brasileira. A maior parte das pessoas com deficiência visual, mesmo que queiram um cão-guia, não consegue. Eu tive de esperar na fila por cerca de cinco anos para conseguir o meu cão-guia”, comentou.
