Tributos brasileiros, ganho de escala e dificuldades operacionais devem dar margem de segurança para as empresas locais, avalia o portal InfoMoney.

Os investidores que gostam do varejo de moda brasileiro andam tendo, já há algum tempo, uma série de preocupações: concorrência das chinesas, mudança na tributação, juros altos. Todos esses fatores vêm impactando negativamente os balanços e as perspectivas do mercado para o setor. Nessa segunda-feira (17), o anúncio da entrada da gigante europeia H&M no país, ainda que somente em 2025, levantou um novo sinal de alerta, mas ao menos por enquanto não há motivo para mais estresse para os acionistas.
A companhia, uma das cinco maiores varejistas de moda do mundo, deve enfrentar, segundo especialistas, diversos empecilhos antes de conseguir ganhar escala no mercado brasileiro. Caso consiga, aí sim passaria a trazer problemas para as locais como Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo.
“Eu não vejo a entrada da H&M como uma grande ameaça as varejistas locais em Bolsa, principalmente porque o posicionamento da H&M provavelmente vai ser muito parecido com o a Zara. Apesar de essas empresas lá fora serem vistas como a Renner e a Riachuelo são vistas aqui, como fast fashion, quando elas chegam no Brasil a realidade, principalmente de impostos, faz com que os seus preços sejam mais altos”, comenta Rafael Ragazi, sócio e analista de ações da Nord Research.
A carga tributária brasileira é repassada para os clientes nos preços e a companhia, para manter suas margens, acaba perdendo competitividade – ou se tornando, mesmo que involuntariamente, uma marca mais premium.
