Ponte que desabou no Acre teve projeto e construção de empreiteira gaúcha

O colapso parcial da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), na noite de sexta-feira (o5), deixou quatro feridos. De acordo com a imprensa local, cerca de 60% da estrutura de 232 metros cedeu sobre o Rio Iaco. Entre os atingidos está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, que gravava uma transmissão ao vivo pouco antes do colapso, denunciando as condições da ponte. Na quinta-feira (04), fiscais e engenheiros haviam identificado rebaixamento nas pilastras e rachaduras na pista, o que levou à interdição imediata pelo Corpo de Bombeiros e pelo Deracre (Departamento de Estradas do Acre).  Inaugurada em dezembro, a  obra foi executada pela Construtora Cidade, empresa de engenharia pesada com sede no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre (RS).

Governo tumultuado no Acre

A Construtora Cidade esteve à frente ou integrou consórcios responsáveis por pelo menos três dos maiores empreendimentos viários realizados durante a gestão do governador Gladson Cameli: a Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, orçada em R$ 36 milhões; a ponte e o Anel Viário de Brasiléia/Epitaciolândia, com investimento de R$ 60,4 milhões; e a 6ª Ponte do Arco Viário de Rio Branco, contratada por R$ 73,7 milhões. Juntas, as obras somam cerca de R$ 170 milhões em contratos públicos. Os contratos foram celebrados ao longo do período em que Gladson Cameli comandou o governo até 2  de abril deste ano, quando   renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. Com sua saída, a vice-governadora Mailza Assis assumiu a chefia do Governo. Pouco mais de um mês depois, em 6 de maio, Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.

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