Policial federal infiltrado no RJ usava acesso a sistemas para beneficiar Vorcaro, diz investigação

Segundo a Polícia Federal, o agente da própria corporação, lotado no Aeroporto Internacional do Rio, Anderson Wander da Silva Lima atuava como um informante dentro do órgão a serviço do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como integrante do grupo criminoso conhecido como ‘A Turma’. Ambos foram alvos da 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14).
De acordo com a investigação, Anderson usava seu acesso aos sistemas internos da PF para consultar informações sigilosas e repassá-las a Marilson, que encaminhava os dados a Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, Felipe Mourão e outros membros da organização.

As mensagens apreendidas mostram que essa atuação não foi isolada. Desde agosto de 2023, Anderson teria realizado uma série de consultas irregulares em bancos de dados da Polícia Federal para descobrir, por exemplo, viagens internacionais, localização de pessoas e detalhes de investigações sigilosas. Em um dos episódios, Marilson enviou ao agente a foto do passaporte de uma mulher e pediu que ele verificasse se ela havia deixado o país e para qual destino. Anderson atendeu ao pedido e encaminhou uma captura de tela do sistema da PF com os registros de entrada e saída do Brasil.

Os diálogos também indicam que Anderson buscava ser recompensado pelos serviços prestados. Em uma das conversas, ele afirmou que “moral se paga com moral” e pediu “fortalecimento”, expressão interpretada pela PF como um pedido de pagamento ou benefício. Poucos dias depois, Marilson solicitou a chave Pix do agente para enviar um “presente” à filha dele, aprovada no vestibular. Anderson agradeceu e informou que a jovem “adorou o presente”.

Para os investigadores, as mensagens revelam que o policial não atuava apenas em consultas pontuais, mas fazia parte de um esquema contínuo de obtenção de informações reservadas em troca de vantagens financeiras. Em setembro de 2023, Anderson chegou a dizer que precisava de “alguma coisinha boa” e se colocou à disposição para fazer novos “trabalhinhos”. Marilson respondeu que, no mês seguinte, teria “um negócio muito interessante” que dependeria do apoio dele.

A PF também identificou que Anderson era acionado para levantar dados sobre investigações envolvendo diretamente a família Vorcaro. Em fevereiro de 2024, Marilson pediu que o agente verificasse, com urgência, se um inquérito tratava de crimes financeiros relacionados a Daniel Vorcaro. Para atender ao pedido, Anderson consultou ao menos três colegas e enviou prints das respostas recebidas. Dias depois, realizou nova busca sobre outro procedimento que mencionava Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.

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