A Polícia Federal apreendeu pilhas de dinheiro na residência de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Master, durante o cumprimento de mandados da Operação Compliance Zero em São Paulo.
A quantia, que integra o montante total de cerca de R$ 1,6 milhão em espécie recolhido até o momento, foi localizada durante buscas realizadas pela corporação na manhã desta terça-feira (18/11).
Augusto é um dos alvos de prisão da operação que investiga o suposto esquema de criação e negociação de títulos de crédito sem lastro, usados para inflar artificialmente ativos financeiros.
Segundo a PF, ele teria atuado na estrutura do banco e participado de manobras internas para ocultar irregularidades detectadas pelo Banco Central.
Além de apreender dinheiro na casa do executivo, a operação resultou em sete prisões – quatro preventivas e duas temporárias – e no bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas associadas ao esquema. Também foram recolhidos carros de luxo, obras de arte e relógios de alto padrão.
A queda do império Master
A deflagração ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, o que, na prática, retira a instituição do sistema financeiro e determina a venda de seus bens para pagamento de credores.
A medida foi acompanhada da instauração de um regime de administração especial temporária no Banco Master Múltiplo, com duração de até 120 dias, afastando os dirigentes.
O conglomerado de Vorcaro tinha R$ 86,3 bilhões em ativos, o maior volume já envolvido em um processo de liquidação da história do sistema financeiro brasileiro.
Um golpe?
Em sua manifestação sobre o caso, o Ministério Público Federal afirma que o Master “teria adquirido carteiras de crédito” de uma empresa dirigida por um ex-funcionário “sem realizar qualquer pagamento” e, logo em seguida, revendeu esses ativos ao BRB, banco público do Distrito Federal, recebendo pagamento imediato, “resultando na transferência, de janeiro a maio de 2025, de R$ 12,2 bilhões”.
De acordo com a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões. Essas transações ocorreram mesmo “diante de ressalvas formuladas pelo Banco Central”.
Ao justificar essa operação ao Banco Central, o Master informou em 25 de março deste ano que a carteira de crédito tinha como origem duas associações de servidores do estado da Bahia — que teriam sido criadas por um diretor do banco privado.
