Moraes determina busca e apreensão a jornalista após reportagem sobre carro funcional usado pelo ministro Flavio Dino

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a realização de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo site Blog do Luís Pablo. A medida foi solicitada pela Polícia Federal (PF) no âmbito de investigação que apura suposto crime de perseguição contra o ministro da Corte Flávio Dino.

A decisão foi assinada em 4 de março e autorizou buscas pessoais e domiciliares contra o jornalista em endereços ligados a ele em São Luís (MA). Segundo o despacho, há indícios de que as publicações feitas pelo blog e em redes sociais possam configurar o crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal.

De acordo com a representação da PF, reportagens publicadas em novembro de 2025 teriam divulgado informações sobre um veículo utilizado por Dino no Maranhão. Para os investigadores, o conteúdo indicaria possível monitoramento do automóvel e acesso a dados sensíveis relacionados à segurança da autoridade.

A polícia citou ao menos três textos publicados no site do jornalista, além de conteúdos divulgados em sua conta no Instagram. Em uma das reportagens, o blog afirmou que um carro blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão estaria sendo utilizado por familiares do ministro em deslocamentos particulares na capital maranhense.

A decisão aponta que as publicações podem indicar que o autor “se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos empregados”, o que teria permitido a exposição indevida de informações relacionadas à segurança de uma autoridade do STF.

Para Moraes, os elementos reunidos até o momento apontam que o investigado pode ter realizado monitoramento e vigilância do veículo utilizado por Dino, além de divulgar dados que poderiam afetar a integridade física ou psicológica da vítima. O magistrado também mencionou a possibilidade de participação de outras pessoas na obtenção das informações.

Com base nesses indícios, o ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar na investigação. A decisão também permite a análise do conteúdo armazenado nos aparelhos, inclusive dados guardados em serviços de armazenamento em nuvem.

A ordem prevê ainda a coleta e preservação das publicações feitas pelo jornalista na internet e em redes sociais, que deverão ser analisadas pela Polícia Federal. O material apreendido será submetido a perícia, e a PF deverá apresentar relatório parcial das diligências no prazo de até 30 dias.

Segundo o despacho, a medida busca evitar o desaparecimento de provas e permitir o esclarecimento dos fatos investigados. Moraes ressaltou que a inviolabilidade domiciliar é uma garantia constitucional, mas pode ser afastada em situações excepcionais quando há indícios de prática de crime.

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