Filha de vítima de feminicídio, deseja ser delegada de Polícia.

X., de 17 anos, que perdeu a mãe há quatro, vítima de feminicídio, tenta transformar a dor em vontade de ajudar. A adolescente não tem dúvida quando lhe perguntam qual é o seu sonho: ser delegada, para auxiliar na proteção às vítimas de violência doméstica e aos seus filhos, que, como ela, ficam desamparados com a perda da mãe. Em 2019, 85 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado do Rio, um aumento de 19,7% em relação a 2018, que registrou um total de 71 casos.

O desejo da menina de se tornar delegada é justificado. Sua mãe foi morta pelo ex-companheiro, seu padrasto, em setembro de 2016, no Jardim Carioca, na Ilha do Governador, após ter deixado a 17ª DP. Na unidade, havia denunciado ameaças que recebeu poucas horas antes. O autor estava presente, mas foi liberado. No mesmo dia, ela foi assassinada a facadas dentro de casa.

Em maio de 2018, o assassino foi condenado por júri popular a dez anos de prisão por homicídio simples, ou seja, sem a qualificação de feminicídio. O Ministério Público do Rio recorreu, alegando que a decisão foi “manifestamente contrária à prova dos autos”, uma vez que as investigações demonstraram que o crime havia sido cometido em situação de violência doméstica e familiar. Em fevereiro de 2019, os desembargadores da 3ª Câmara Criminal concordaram e determinaram um novo julgamento, marcado para o próximo mês.

— Quero poder ajudar mulheres a não passarem pelo que minha mãe passou. E vou tentar impedir que outros filhos sintam a minha dor — diz a adolescente.

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