
Uma crise interna no PSD de Santa Catarina resultou na retirada do nome do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, como pré-candidato do partido ao governo do Estado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (12) pelo ex-governador Jorge Bornhausen, durante uma coletiva de imprensa em Florianópolis.
Segundo Bornhausen, a decisão ocorreu após uma série de divergências internas envolvendo a permanência do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, no partido. Embora filiado ao PSD, Topázio declarou apoio político ao governador Jorginho Mello (PL), que deverá disputar a reeleição em 2026.
A situação gerou reação de João Rodrigues, que vinha se apresentando há mais de dois anos como principal nome do PSD para a disputa estadual. Em mensagens enviadas a um grupo de WhatsApp da executiva estadual do partido, o prefeito de Chapecó afirmou que o PSD deveria escolher entre ele ou Topázio. Rodrigues estabeleceu prazo até 17 de março para que o partido definisse a situação e afirmou que poderia deixar a candidatura caso o prefeito da capital permanecesse na legenda.
A postura foi criticada por Bornhausen, que pediu cautela na condução do debate interno. O tom da resposta de João Rodrigues teria agravado o clima dentro do partido. Após o episódio, o ex-governador se reuniu em São Paulo com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e decidiu comunicar publicamente que Rodrigues não será mais o candidato da sigla ao governo estadual.
Durante a coletiva, Bornhausen afirmou que o próprio Rodrigues teria renunciado à pré-candidatura ao condicionar sua permanência à saída de Topázio do partido. O ex-governador classificou a atitude como precipitada e afirmou que “política não se faz com ameaças”.
Com a saída do prefeito de Chapecó do projeto eleitoral, o PSD deverá buscar um novo nome para disputar o governo de Santa Catarina. Bornhausen citou como possíveis candidatos o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, e o deputado estadual Napoleão Bernardes. Ele também mencionou o ex-governador Raimundo Colombo, mas avaliou que o político deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
No cenário nacional, Bornhausen destacou ainda que o PSD trabalha para lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como candidato à Presidência da República, anúncio que pode ocorrer nas próximas semanas.
A assessoria de João Rodrigues não se manifestou oficialmente. Nos bastidores, pessoas próximas ao prefeito afirmam que ele foi surpreendido com a decisão e avalia a possibilidade de deixar o PSD.
Rodrigues convocou uma coletiva de imprensa para esta sexta-feira (13), às 9h, no Hotel Mogano, em Chapecó, quando deverá se pronunciar oficialmente sobre o episódio e seu futuro político.
Analistas políticos avaliam que a mudança no cenário pode beneficiar o governador Jorginho Mello na disputa pela reeleição, já que João Rodrigues era considerado um dos adversários mais competitivos no campo da oposição.
