Cirurgião que cobra R$ 1 de pacientes carentes em SC recebe materiais a preço simbólico e amplia atendimentos

Empresa de próteses passou a fornecer parafusos de titânio por R$ 22, ante os R$ 200 do mercado, e ainda devolve 5% de cada venda ao projeto que atende pacientes que não conseguem operar no SUS.
Um parafuso de titânio que fixa o osso custa em média R$ 200 em qualquer fornecedor. Agora, o cirurgião à frente do Projeto Léozinho, em Palhoça (SC), passou a receber o mesmo item por R$ 22.
Raulino Brasil, que atende pacientes carentes que não conseguem ser operados no SUS, contou que a mudança veio de uma parceria com a empresa PROMM Próteses. Como usa cerca de oito parafusos por paciente, o custo que era de R$ 1.600 por cirurgia caiu para perto de R$ 150. As placas de titânio, que saem por até R$ 1.500 no mercado, passaram a R$ 160. E ainda tem mais: a empresa devolve 5% de cada venda para o próprio projeto.
“Isso não tem nada a ver com lucro, tem a ver com as pessoas ficarem felizes, mudar histórias”, disse o representante da empresa. O preço reduzido vale para os casos sociais, quem pode pagar segue pagando normal. Logo depois de receber o material, o médico operou uma idosa que convivia há seis anos com uma fratura na mandíbula, sentindo dor a cada movimento, sem conseguir a cirurgia pela rede pública.
Fim do improviso
Formado em residência na rede pública, o cirurgião descreve uma rotina de improviso que agora começa a ficar para trás. Antes, era comum cortar parafuso na hora para adaptar ao caso, virar-se com o que tinha à mão.
Com o novo estoque, ele passa a ter o tamanho exato de que precisa, de 6 milímetros a 8 milímetros, e placas com o número de parafusos necessário para cada procedimento.
O Projeto Léozinho atende pacientes carentes cobrando valores simbólicos, em alguns casos R$ 1, para quem não consegue as cirurgias na rede pública. Para o cirurgião, a mudança tem um único beneficiário final. “Quem ganha mais uma vez é o paciente do projeto, ganha tempo e qualidade”, afirmou. Com material adequado em mãos, ele avalia que os procedimentos ficam mais limpos, mais rápidos e sem a necessidade de adaptações de última hora.
